quinta-feira, abril 14



   Hoje lembrei-me dos dias em que chorava. Chorava por que algo doía, por que algo sangrava. Por alguma coisa que reconhecia em alguém, por alguma coisa que machucava-me só de existir. Depois percebi que chorava por algo inútil, que há muito tinha morrido e que deixava sua fétida e doce neblina de recordações envolver-me aos poucos, à ponto de cegar, sufocar. Descobri, depois de muito tempo perdida na cegueira de sua falsa doçura, que alguma brisa suave lentamente afastou toda a dor ilusória, alucinógena. E se tornou vento. Depois ventania, e até tufão. Então, tudo começou outra vez. A única diferença, é que meu estoque de lágrimas cessou, e cá estou eu caminhando entre um perfume conhecido. E sinto que tudo voltará a ser igual outra maldita vez.

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